Onde está o nosso direito de ir e vir

01/05/2012 14:31

 

Apresentações estão suspensas na região

Alcione Herzog
Enquanto manifestações pela paz estão sendo programadas como forma de reação aos atentados, as apresentações de funk na Baixada Santista estão suspensas por tempo indeterminado. 

“Cancelei todas as minhas apresentações. Não saio mais de casa. O meu sentimento e o dos colegas é de estarmos sendo caçados, sem saber o motivo”, afirmou um MC bastante conhecido pelo trabalho que faz na Zona Noroeste, em Santos.

Ameaças e boatos ajudam a manter o clima de suspense. O cantor MC Léo da Baixada publicou uma mensagem na noite de sábado, em sua página do Twitter, que deixou os 45 mil seguidores do cantor apreensivos. 

“Não sei se é brincadeira (...), mas ligaram no meu telefone de contato para show e fizeram a mesma coisa que fizeram com o Careca! Se for brincadeira, eu peço, por favor, que pare. Se é me deixar com medo que queriam, conseguiram!”, disse. 
No Jornal da Tribuna - 2º Edição de ontem, um MC revelou haver uma lista de outros cantores de funk marcados para morrer. 

No velório de MC Primo, alguém telefonou para MC Careca, dizendo que “as mães de mais de dez MCs iam chorar”. Parte das pessoas que se dedicam ativamente ao funk está saindo de Santos e de São Vicente. Outro MC, que não quis se identificar, afirmou a A Tribuna  que muitos profissionais que cantam, produzem ou divulgam bailes e vídeos partiram para a Capital ou para cidades do Interior.

“Tem profissional que só vive disso. Faz até três apresentações por noite. Pessoas estão impedidas de trabalhar para sustentar a família”, desabafa. Segundo um produtor que atua em São Paulo, até na Capital o nervosismo domina. “Por enquanto, meus MCs não descem a Serra”.

Para MC Galo, que atua na Capital, o mais importante é aproveitar o momento para mostrar que o funk não se limita a letras com apologia ao crime organizado, às armas ou às drogas. Ele reconhece que elas existem, mas reforça que a maioria das letras é boa, porque faz pensar e denuncia os problemas da periferia.{HEADLINE}